Prefeito de Pio IX simulava contratos para desviar dinheiro para exploração sexual de adolescente, diz polícia
O prefeito de Pio IX, Silas Noronha, foi indiciado pela Polícia Civil do Piauí pelos crimes de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de crianças e adolescentes e peculato. De acordo com a investigação, contratos teriam sido simulados para desviar recursos públicos que, posteriormente, seriam utilizados para custear a exploração sexual de adolescentes.
Segundo o delegado, quatro adolescentes foram ouvidas durante a investigação e relataram como ocorriam os encontros, a forma como eram aliciadas e os valores que recebiam. Os depoimentos, segundo ele, são considerados “bastante chocantes”.
Além das acusações relacionadas à exploração sexual, a Polícia Civil identificou indícios de desvio de recursos públicos. Conforme o delegado, a investigação constatou a utilização de contratos e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a finalidade dos pagamentos.
“No decorrer desse inquérito descobrimos desvio de verbas públicas. A delegada Rosa Chaib foi bem clara no relatório ao apontar movimentações de mais de R$ 5 milhões de forma totalmente atípica, conforme relatório do Tribunal de Contas do Estado”, afirmou.
De acordo com o relatório policial, um dos principais elementos da investigação envolve o Contrato nº 012/2025, firmado entre a Prefeitura de Pio IX e a empresa José Ferreira & Maria Célia Combustíveis Ltda. (Posto Boa Viagem). Com base em auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI), a Polícia Civil afirma que a empresa emitiu notas fiscais e recebeu pagamentos por fornecimento de óleo diesel S500, embora não possuísse autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para armazenar esse tipo de combustível.
Segundo a investigação, essa incompatibilidade técnica demonstra que os produtos não teriam sido entregues, indicando que os pagamentos, que somaram mais de R$ 5,3 milhões em 2025, seriam fraudulentos.
Ainda conforme o inquérito, os desvios tinham como finalidade abastecer financeiramente o esquema de exploração sexual de adolescentes. A Polícia Civil sustenta que Silas Noronha utilizava recursos públicos desviados por meio de empresas de fachada, “laranjas” e contratos simulados para custear os pagamentos às vítimas.
A investigação aponta ainda que Samuel Noronha Mota, sobrinho do prefeito, e Francisco Liedson Alves Silva, apontado como um dos “laranjas” e ex-integrante do esquema, atuavam diretamente no aliciamento e na intermediação do contato entre o prefeito e as adolescentes.
Outro elemento citado pela Polícia Civil é um comprovante de transferência bancária que indicaria um pagamento via Pix realizado pela empresa A. de Sousa Ltda. (Allan Auto Peças) diretamente para uma das vítimas. Segundo os investigadores, a empresa também mantinha contratos com o poder público e teria sido utilizada como parte da engrenagem financeira destinada à movimentação dos valores ilícitos empregados no pagamento das adolescentes.
Ainda segundo o delegado, a investigação concluiu que foram utilizados “laranjas” para receber recursos públicos, o que, na avaliação da Polícia Civil, caracteriza a simulação de contratos para ocultar o destino do dinheiro. “Utilizaram-se laranjas para receber dinheiro”, disse.
O delegado informou que as suspeitas relacionadas ao desvio de verbas serão encaminhadas à Delegacia de Combate à Corrupção, que deverá aprofundar as investigações sobre a possível prática de crimes contra a administração pública.
Questionado sobre a responsabilização dos envolvidos, ele afirmou que, além de Silas Noronha, outras pessoas também foram indiciadas por darem suporte ao esquema criminoso. “O indiciamento não é só dele, mas também de outras pessoas, de forma bem categórica, mostrando a participação de cada uma delas”, declarou.
A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva e pelo afastamento do prefeito das funções públicas durante a investigação. Segundo o delegado, o trabalho policial foi concluído dentro dos parâmetros técnicos e agora caberá ao Ministério Público analisar o inquérito e decidir pelo oferecimento da denúncia à Justiça. “Esperamos agora que o Ministério Público ofereça a ação penal devida por esses crimes tão graves”, concluiu.
O prefeito de Pio IX ainda não se manifestou sobre a conclusão do inquérito pela Polícia Civil.
Relembre o caso
O prefeito de Pio IX, Silas Noronha, foi preso em abril deste ano sob acusação de chefiar um esquema de exploração sexual de adolescentes. O caso veio à tona após um ex-assessor do prefeito, Liedson Alves, fazer denúncias nas redes sociais e a polícia abrir um inquérito em março. Segundo Liedson, o sobrinho de Silas, Samuel Noronha, também fazia parte do esquema, que consistia basicamente em pagar por encontros com adolescentes menores de idade.
No dia de sua prisão, Silas foi afastado do cargo e o vice, Etinho Bezerra, assumiu temporariamente a Prefeitura de Pio IX. Paralelamente ao processo criminal, o prefeito também era alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na Câmara Municipal. Em 05 de maio, após quase um mês preso, Silas foi solto e acabou sendo reconduzido ao cargo.
À época que as denúncias vieram à tona, Silas afirmou em declaração pública que as acusações eram caluniosas, inverídicas e sem fundamento. O prefeito destacou que sempre conduziu sua trajetória política com respeito e disse que as denúncias eram “uma tentativa de ataque” à sua honra, motivada por perseguição política.
Com informações do Portal Cidade Verde
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